
Quantas recordações trago comigo
Do meu velho bairro que me acolhia
Nas madrugadas em seus bares boêmios
Das suas aconchegantes vielas inspirando
O bordado dos meus recitais poéticos
Que surgiam de um olhar cobiçado,
Que me fitava por entre os reflexos
De uma lua amante a me cortejar
Com a pureza do seu incenso feiticeiro,
Inebriando-me com o aroma de sua magia
Embriagando-me com o encanto
De um sentimento que me fez lembrar
Dos plangentes acordes de um violão
Solitário bailando airosamente ao vento,
Momentos vividos em um mavioso tempo
Que passou e jamais será esquecido.
Ah, minhas profanas ruas que me aqueceram
Do frio da solidão que aportou no meu coração.
Em cada canto das suas esquinas
Reencontro-me com os fragmentos do amor
Que ainda vivi em algum lugar da minha vida