JValdomiro
A saudade é como o perfume da brisa, que acaricia nosso rosto e depois vai embora sem dizer adeus.
Capa Textos Áudios Fotos Perfil Livro de Visitas Contato
Textos

O MENINO QUE AMAVA ÀS PALAVRAS

        Nunca poderemos entender o que nos reserva o destino, suas nuances são imperceptíveis a mente humana. Quando nascemos geneticamente e biologicamente nossos traços iniciais já estão definidos, determinados pela hereditariedade e a herança genética, as nossas características biológicas já nos foram transmitidas pelos nossos pais.

        As qualidades dos seres humanos são determinadas principalmente por fatores relevantes, como valores morais, inteligência emocional e o contexto social, eles representam os traços positivos da personalidade de cada um dentro do ambiente social onde é construída a nossa história. A evolução da humanidade no âmbito natural e artificial.

        Não podemos identificar as habilidades intrínseca do ser humano, são aspectos singular, individuais e imutáveis. Nossa vida não é uma eventualidade, é um aprendizado eterno. Ao longo do tempo sempre evoluiremos a procura do aperfeiçoamento cultural. O nosso hábitat já não é o mesmo, estamos sempre em constante desenvolvimento.

        Nossa narrativa tem origem em Dublin, capital da República da Irlanda, localizada na costa leste do país, na foz do Rio Liffey, berço cultural de renomados escritores do continente europeu como Oscar Wilde, James Joyce, Sally Rooney, reconhecida como sendo a cidade da literatura pela UNESCO, é uma das regiões mais acolhedoras do mundo de grande relevância na Europa. É um destino que encanta pela sua rica cultura, paisagens deslumbrantes e histórias fascinantes. A Irlanda é conhecida mundialmente como sendo o país da Literatura. Mantém até hoje uma forte tradição ligada aos livros.

        Apesar de ser bastante procurada por estrangeiros que a escolheram para morarem é considerada uma cidade pacífica. Um paraíso, que pelos seus campos verdejantes predominantes em seu território, recebeu o apelido de “ilha da esmeralda”.

       Cillian Collins nasceu no condado de Wexford, situado no sudeste da Irlanda, de grande importância no setor agrícola. Terceiro filho de uma família de agricultores, Brian e Niamh Collins, proprietários de uma pequena fazenda familiar. Ajudava junto com irmãos no cultivo da terra e no trato dos animais.

        Desde criança sempre demonstrou que tinha características pessoais que o diferenciavam dos membros da família, tinha o hábito de ficar contemplando a exorbitante beleza da natureza, o encanto do brilho do sol despertando a poesia das manhãs, o suspiro dourado abraçando o dia ao entardecer. Quando à noite despertava às estrelas, ali estava ele admirando o espetáculo dos raios do luar reluzindo no manto azul do firmamento. O seu olhar tinha um cintilar diferente, extasiado quando apreciava a magnitude da formosura celeste. Passava horas fascinado com a fulgência das paisagens, a paz dos regatos de águas cristalinas, que diante de se nasciam e despereciam por entre as matas encantadas dos vales verdejantes, e cada vez mais enriqueciam a sua fértil imaginação. Guardava dentro de si um segredo que ninguém sabia.

        Logo que chegava em casa corria para o seu quarto e de baixo do colchão de crina, o seu amigo inseparável o aguardava. Um manuscrito onde registava tudo que tinha observado no dia, pois na sua inocência, temia que pudesse desaparecer da sua mente no dia seguinte. Logo após o camuflava por entre os seus cobertores que já não os usava mais.

        Começou a se destacar ainda na infância na pequena escola rural próxima a residências dos seus pais. Tinha o dom de aglutinar as palavras transformando-as nas mais doce das harmonias. Foi ali que sua vida literária começou a fluir em toda à sua plenitude, na mais maviosa das manifestações escritas que iluminava à sua mente.

       O tempo passava e cada vez mais o talento de Cillian se evidenciava e rapidamente a sua fama começou a percorrer o condado como um garoto prodígio e passou a ser conhecido como sendo o menino que amava às palavras, por onde passava sempre tinha alguém que o abraçava e o parabenizava pela sua capacidade intelectual e nem mesmo ele entendia o porquê daquela manifestação de tanto carinho, que recebia.

      Jamais entenderemos os mistérios do futuro não nos foi permitido decifrar como será o amanhã, são providências divinas que não foram permitidas conhecermos os seus enigmas. Na vida somente nos foi concedido a permissão de acessar as nossas ações consumadas.

      Cillian Collins, havia completado quinze anos e era o período do recesso escolar, quando os seus pais receberam a visita de familiares que moravam na capital, Ryan e Kiara Collins, para passarem férias. A partir de antão a vida de Cillian mudaria para sempre.

      Não demorou muito, Brian e Niamh, acompanhados do filho prodígio e a parentela ilustre os levaram para conhecerem o centro do condado, e o que aconteceu foi algo inacreditável, que surpreendeu até o próprio Cillian, pois como já estava na adolescência começava entender mais claramente as manifestações de carinho que recebia, e que jamais tinha relatado para os seus pais, os fatos ocorridos. Ali o destino começava escrever silenciosamente uma das mais belas narrativas da intelectualidade Irlandesa.

       Ao se aproximarem do centro em uma praça florida. um grupo de moradores que estavam organizadamente aguardando alguém que para eles era muito importante, se acercaram de Cillian, erguendo-o nos braços e clamando. Você é o nosso herói o orgulho do Condado de Wexford. Todos ficaram surpresos e emocionados pela grandiosidade da recepção. Cillian tentava entender se tal recepção era realmente para ele.

      Como era de costume quando podia caminhava até o centro da cidade e sempre era recebido com muito carinho por todos aqueles que o rodeavam quando ele chegava, mas jamais com aquele exagero de afeto. E naquela tarde não seria diferente a única diferença era que naquele momento ele estava acompanhado dos seus pais e visitantes.

      O que não se sabia e nem ele tinha revelado para ninguém, era que ele começou a dar vida aos seus manuscritos, reproduziam e presenteava aos seus amiguinhos da escola, que os levavam para as suas casas, e aos poucos todos foram tomando conhecimento do seu talento, muitos se perguntavam como aquele menino, tinha tamanha inteligência? E nem ele mesmo sabia que era capaz de voar tão alto nos seus sonhos. E naquela tarde todos estavam esperando pela à sua chegada, por coincidência desta vez ele estava acompanhado.

       Emocionada sua mãe, Niamh, se dirigiu a ele, filho o que está acontecendo? E ele ainda sem entender o que estava ocorrendo. Não sei mãe, sinceramente não estou entendendo nada. Nem mesmo ele sabia o motivo de tanto carinho. Os manifestantes, os conduziram para um salão que existia no local para festejar grandes celebrações e então encontraram o porquê daquela esfuziante recepção.

      Os pais dos alunos quando tomaram conhecimento que ele iria visita-los,  se reuniram e chegaram a conclusão de que estavam diante de um gênio da literatura Irlandesa e em comissão foram até as autoridades locais e em seguida submeteram os escritos de Cillian ao Conselho Eleito que de imediato remeteu todo o conteúdo produzido artesanalmente para o Centro Cultural de Dublin, que após análise criteriosa concluíram que ele era realmente um expoente do mais alto nível da literatura do país e o inacreditável, o autor de tamanha relevância era uma jovem menino talentoso que ao longo do tempo somente tinha começado a escrever a partir dos seus nove anos.

      E o mais surpreende é que ele fazia tudo em segredo, pois temia que os seus pais não iriam concordar, porquanto da vida de produtores agrícolas, talvez temessem perder a força de trabalho do filho nas atividades da fazenda.

      A emoção reinante no ambiente era indescritível podia-se ver às lágrimas irrigando os rostos dos presentes, Brian e Niamh, abraçados a Cillian choravam copiosamente. E se perguntavam, como foi que o filho fez tudo aquilo sem que eles perecessem, uma vez, que sempre ele estava com eles na execução das atividades da propriedade.

      O silêncio pairou no recinto, quando o representante do conselho, Diretor Executivo, Aiden Walsh, solicitou aos organizadores do evento, a palavra. Saudou a todos os presentes e em particular a família do homenageado. Meu ilustre escritor, Cillian Collins, saiba que é uma honra o ter como representante maior da nossa cultura, desejo a Vossa Senhoria, felicidade e sucesso.

     Convido com os votos de boas-vindas o representante da Administração da Dublin City Counci, gerência de eventos Púbicos e o planejamento Cultural. Senhor Ryan Collins e a surpresa foi geral, pois família Collins não sabia que tinha um membro com um grau de importância tão relevante na administração da capital.

      Senhores e Senhoras, minhas cordiais saudações a todos especialmente aos familiares aqui residentes, aos quais peço desculpas por não ter revelado o verdadeiro motivo da minha missão nesse tão importante condado para a economia do nosso país.

      Estou aqui para informar que a partir de agora o jovem, Cillian Collins, talento tão promissor para cultura das letras do nosso pais, é o mais novo membro da The Arts Council Agência Nacional de apoio artístico e promoção do patrimônio cultural da cidade do Dublin. Após a comunicação oficial do governo o público calorosamente aplaudiu.

      Para os pais de Cillian tudo parecia um sonho surreal do qual jamais queriam acordar, não podia ser verdade o que estavam presenciando como poderia ser que daquela região tão simples, ter brotado uma pérola da arte da escrita como estavam chamando o seu filho. Foi então que aos poucos foram recordando que ele sempre era diferente dos outros irmãos, de comportamento retraído e logo após o final das atividades laborais na fazenda, ele quase sempre desaparecia e quando era perguntado por onde andava ele respondia, andando pelos campos contemplando as maravilhas apoteóticas da natureza da região, pois achava que um dia poderia partir sem vivenciar todo o júbilo que experimentava quando estava na sua caminhada. Experimentava o sentimento da liberdade quando ficava admirando os pássaros voando livres pelo infinito do firmamento o gorjear dos invisíveis habitantes das matas. E sempre quando ele retornava para casa, tinha um brilho diferente no olhar. Era como se ele estivesse vivendo as ilusões da adolescência, parecia flutuar em meio as imagens da natureza que tanto o fascinava. Agora estava claro, era esse maravilhoso universo que o inspirava, iluminando os seus pensamentos e dando vida a sua criação literária.

       Cillian tentava entender o que realmente estava acontecendo, o porquê de toda aquela ovação ao seu redor, mas não conseguia compreender, era praticamente impossível a ele chegar uma explicação, pois ele ara apenas um menino sonhador que gostava de admirar o místico encanto da natureza.

      Sob a tutela do governo irlandês passou a estudar em Dublin no Trinty College Dublin, por onde passaram escritores famosos como Oscar Wulde, Samuel Beckett e Bram Stoker. Não demorou muito para se adaptar a nova realidade de sua vida, verdadeiramente era diferenciado dos outros alunos. Um talento genial desses que somente surgem em centenas de décadas.

      Logo em sua primeira participação em uma mostra literária, foi aplaudido calorosamente pelos participantes da academia de intelectuais, foi laureado como sendo o escritor revelação da cultura irlandesa. Dai por diante passou a ser um ícone da literatura do pais publicou vários livros e se tornou um renomado escritor reconhecido mundialmente.

      A imprensa europeia especializada em suas publicações enaltecia a cultura literária da Irlanda como sendo umas das mais ricas do mundo, tendo como expoente principal um jovem escritor, Cillian Collins, nascido em Wexford uma pequena cidade localizada no sudeste da República da Irlanda, província de Lainster.

      Autor de uma obra cultural riquíssima suas publicações atingiram índices altíssimos em todo o continente. Dentre os livros mais vendidos, dois tiveram destaques especiais: O menino que amava às palavras e As brilhantes estrelas do meu mundo.

      Em sua homenagem foi construído na cidade onde nasceu o museu cultural que leva o seu nome. “O ÍCONE DA CULTURA LITERÁRIA IRLANDEZA, CILLIAN COLLINS.” E na entrada do condado um placa com os dizeres. AQUI NASCEU O MENINO QUE ENCANTOU O MUNDO.

 

NOTA DO AUTOR: Esta é uma obra de pura ficção qualquer semelhança é mera coincidência.

Autor – José Valdomiro Silva

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

JValdomiro
Enviado por JValdomiro em 03/08/2026
Alterado em 10/08/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários